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Sobe número de acidentes de trabalho na construção civil

Nos últimos dez anos, 300 operários morreram nos canteiros de obras na cidade de São Paulo. Os números dos acidentes de trabalho que caíram muito desde 1995, voltaram a subir nos últimos anos.

Nos últimos dez anos, 300 operários morreram nos canteiros de obras na cidade de São Paulo. Os números dos acidentes de trabalho que caíram muito desde 1995, voltaram a subir nos últimos anos.

É um crescimento ainda pequeno, mas que já desperta a atenção do pessoal da área. Nesse setor, cada pequeno detalhe é muito importante pra garantir a segurança dos trabalhadores. Principalmente numa cidade de prédios tão altos.

A repórter Patrícia Taufer foi conhecer um pouco da rotina dessas pessoas que se arriscam nas alturas.

Nossa repórter foi a um prédio de 90 metros de altura com o Antônio, que é o fachadista do prédio, em cima de um balancin, um equipamento que permite que os operários fiquem pertinho da fachada do prédio pra limpar ela toda por fora. Em São Paulo são apenas 100 balancins do tipo permanente.

Os equipamentos de segurança são: capacete, cinto e trava-quedas, uma corda que é o último recurso de segurança. Tem sempre uma equipe de segurança no heliponto composta de bombeiros funcionários do prédio.

Nossa repórter visitou uma obra na zona sul da capital pra conhecer os operários que também trabalham nas alturas.

"Eu tava nessa parte aqui, aí eu fui puxar a tábua, só que eu tava de costas pra lá, aí escorregou, a mão escorregou e no que eu caí pra fora eu consegui segurar ainda. Aí eu segurei, aí o sinto segurou", conta Luiz Roberto Gomes da Silva, ajudante.

"Estávamos fazendo uma torre ali próximo ali ao Shopping Tamboré, né, daí fechou o tempo e não teve mais como descer porque foi muito rápido, ela veio de repente, chegou a atingir 95, quase 100 quilômetros por hora. E não teve como eu descer mais, tive que ficar lá mesmo. Foi apertado lá.", diz um outro.

Sustos assim são comuns pra quem trabalha na construção civil. Viver nas alturas, amarado por cordas, à beira do abismo. Tem que se acostumar com o medo.

"Dá medo. A gente se acostuma, estamos acostumado já", diz um trabalhador.

"Primeira vez que a gente vem fazer um negócio desses, nas alturas. Ficamos vendo o pessoal lá embaixo tudo pequeno", afirma um rapaz.

A cada lage concretada, aumenta a altura e também o risco. Lá em cima, botas e capacetes são tão importantes quanto os cintos e as cordas que prendem os funcionários que trabalham à beira do abismo.

"Toda essa amarração é segurança, tem que ter a segurança no prédio, pra evitar um acidente. Essas coisas", afirma um ajudante.

"Tem que ter cinto trava-queda, tem que estar amarrado, tem que estar educado pra permanecer seguro num ambiente perigoso.", diz um outro.

As estatísticas mostram que as mortes na construção civil diminuíram na capital. A queda mais acentuada aconteceu de 1995 até 2004, quando o número de vítimas fatais passou de 138 para 8. De 2004 até agora, os casos de morte voltaram a aumentar, mas em menor proporção.

"Pequenos incidentes ainda acontecem em algumas obras, mas realmente a redução foi drástica de uns anos pra cá", diz Flávio Bruzzamolino Júnior, gerente da obra.

Com 25 anos de canteiro de obras, seu José nunca fez parte dessa estatística.

"Não tenho nem uma unha machucada", diz ele.

"E qual o segredo pra passar por tanto tempo assim em obra e não se machucar, não sofrer acidente?", pergunta a repórter.

"Atenção, bastante atenção e cuidado no que tá fazendo", diz ele.

No topo da obra, que está 24º. andar, encontramos Luis se equilibrando em alguns centímetros de concreto.

"Luiz, pra fazer o que você faz tem que ficar pendurado desse jeito?", pergunta a repórter.

"Aqui é necessário ficar, nessa parte aqui tem que ficar. Pra colocar essas escoras, pra colocar esse sanduíche aqui", diz Luis.

Quem trabalha ainda mais no alto é outro Luiz, o operador da grua. Ele opera a máquina a 90 metros de altura e contou pelo rádio os apertos que já passou.

"Principalmente quando tá chovendo, que vem com aquele, o vento forte de 70, 80 quilômetros por hora. A gente passa apertado", diz ele.

Este ano já foram registrados mais de 700 acidentes em obras na capital. Foram acidentes de todo tipo, graves, com mortos e feridos, e leves que assustam e alertam para a necessidade de se observar todos os procedimentos de segurança.

Não são só as obras em andamento que exigem atenção redobrada. Trabalhadores do setor de limpeza também precisam ficar atentos na hora de limpar vidros e fachadas.

Um dos acidentes que mais chamaram a atenção, inclusive, este ano, foi o provocado por uma ventania. Dois trabalhadores que limpavam janelas quase caíram de um balancim. Eles saíram ilesos, mas, com certeza, nunca mais vão esquecer essa história. Em 04 de maio de 2009, dois funcionários de uma empresa de limpeza viveram um drama a mais de 30 metros de altura. Eles limpavam vidros quando a ventania começou a jogar o balancim de um lado para o outro. O equipamento bateu com força na lateral do prédio, voltou e bateu de novo com mais força. Um dos homens quase caiu. O vento continuava forte. Uma moça jogou a jaqueta de dentro do escritório. Eles agarraram a peça e foram puxados para dentro.

Duas semanas depois, dia 22 de maio, outro acidente com balancim. Operários instalavam vidros em um prédio no Jabaquara quando os cabos de aço que sustentavam o equipamento se romperam. Um homem teve o braço direito. O outro pulou do balancim e não se feriu gravemente.

Dia 26, em uma obra na Vila Brasilândia, operários montavam uma torre para o guindaste quando o equipamento cedeu. Um operário morreu e outro ficou ferido.

Em junho, um operário morreu e dois ficaram feridos quando o muro desabou em uma unidade da secretaria estadual de cultura, no Capão Redondo.

No mês passado, no dia 06 de julho, dois operários caíram dentro da caixa d'água numa escola técnica em obras. Os bombeiros levaram duas horas e meia para resgatar a primeira vítima que foi levada para o hospital. O outro operário morreu no local.

Quem trabalha nessa área da construção civil e com a limpeza e restauração de fachadas está sujeito a muitos perigos.

"O cinto do segurança é que salvou minha vida. Estava fazendo a montagem do equipamento. O equipamento de segurança desativou, o balancim desceu só um lado e eu fiquei pendurado no cinto e no trava-queda. Você quando trabalha em altura tem que ter todos os equipamentos de segurança, cinto, corda, trava-queda porque você nunca sabe quando o equipamento vai dar defeito, ou o vento", diz Marcelo Vicentim, consultor técnico.

"A norma é de que a 2 metros de altura tem que usar cinto e trava-queda", continua o consultor.

O sindicato dos trabalhadores da construção civil diz que as causas mais comuns para acidentes nas obras são as quedas, os soterramentos e o mau uso de máquinas.

Evite esse tipo de acidente use cadeira de pintura, cinto paraquedista e talabarte da Angare.com Ligue 11-3228-6015 e consulte-nos

Fonte: (SPTV)

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